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Precisamos falar sobre a mom jeans – uma reflexão sobre o consumo na moda

Mom jeans, capri,  skinny, flare, boot cut, xadrez príncipe de gales,  xadrez vichy, legging, jegging, pantalona, pantacourt, cigarrete, clochard, cropped flare, cropped skinny, boyfriend, jogger, cintura alta, cintura baixa, são tantos modelos de calças sendo lançados que não há bolso  nem planeta que consiga seguir as tendências.

Antes de mais nada, quero contar como é a minha relação com a Moda: esse ano completo 10 anos (meu primeiro emprego CLT na área foi em 2008, como assistente de produto) de trabalho na área e eu adoro o meu trabalho.

Para mim ela é muito mais do que apenas peças de roupa e looks. Ela retrata o momento da sociedade, uma tendência de comportamento e é uma forma pessoal de cada um se expressar.

Já faz algum tempo que eu reparo como as pessoas de determinado lugar estão parecidas, os uniformes se repetem: mom jeans, tênis Vans e cropped top; camisa meio anos 80 de um brechó, pantacourt e um sapato oxford; saia plissada, tênis branco, camiseta podrinha e por aí vai. Outro dia estava num bar e meu irmão comentou “Nossa, aquela mulher está com uma calça bag dos anos 90!” Eu expliquei que se tratava da mom jeans, a peça “tem que ter” da vez.

Eu não tenho nada contra esses looks, acho super estilosos e uso vários deles. Mas estamos inseridos na forma de  produção e consumo do Fast Fashion: tecidos sendo produzidos numa escala cada vez maior (para produzir fibras têxteis é preciso desmatar, usar fertilizantes e agrotóxicos, entre outros pluentes), lançamento de mini coleções a todo momento e um produto final com uma qualidade muitas vezes ruim para garantir o funcionamento desse modelo. Deu para notar como isso é insustentável?

E agora vou falar um pouco sobre a minha relação com a Moda, com o consumo e o meu momento atual. Como consultora de imagem eu faço muitos exercícios de imagem com meus clientes, para que eles descubram  seu estilo e saibam peneirar o que pode ser interessante no meio de tantos lançamentos. Mas, como diz o ditado  “casa de ferreiro, espeto de pau”,  muitas vezes eu esqueço do MEU estilo.

Sempre que fico um dia inteiro pesquisando imagens sobre determinada peça, acabo a pesquisa e penso “como eu ainda não tenho essa peça no meu guarda roupa?” Vejo fotos no Instagram, tantas mulheres descoladas com aquela peça que me sinto fora de moda.

Meu momento atual: um armário cápsula, feito de apenas 34 peças, em que estou redescobrindo meu estilo (afinal são apenas peças que EU adoro, independentemente da Moda), saindo da minha zona (a saia estampada que eu sempre usava com tal blusa combina com várias outras que eu nunca tinha tentado) e redescobrindo o poder dos acessórios.

Nada contra quem adora “estar na moda” e está sempre recheando o guarda roupa com as novas tendências, mas que tal deixar a moda globalizada de lado e descobrir o SEU estilo e o poder do SEU guarda roupa?

 

 

 

 

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